Declus

Tentando tapar os buracos na minha cabeça...
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quinta-feira, dezembro 04, 2025

🛡️ O Raciocínio Crítico (O Antídoto Contra a Má-Fé Argumentativa)

 Epígrafe: "Saber pensar com clareza é a única vacina duradoura contra o ruído e a manipulação."

A Controvérsia e o Padrão do GMAT

A inclusão de Raciocínio Crítico (RC) em exames de alto nível (como o recente da SEFAZ SP), frequentemente calcada no formato GMAT, gera controvérsia. Muitos candidatos questionam a relevância, mas educadores a defendem: é uma habilidade que falta no cotidiano.

O GMAT, como exame de entrada para os disputados MBAs nos EUA, usa o RC para medir a aptidão do candidato em analisar informações de forma lógica e fundamentada. É uma competência crucial na gestão: não basta ter dados; é preciso saber pesar as evidências, identificar premissas e tomar decisões estratégicas sob pressão.

O Vácuo Cognitivo e o Benefício Cívico

A grande questão não é se o RC é útil para um auditor ou um executivo de MBA; a pergunta é: Por que essa habilidade não é treinada desde cedo em toda a população?

No Século XXI, onde a Imediatidade domina e o ruído da informação é constante, o RC é a única autodefesa eficaz. O problema do nosso tempo não é a falta de informação, mas a incapacidade de avaliar a qualidade do que se lê ou escuta.

O treino em Raciocínio Crítico ajuda imensamente na vida. Ele fornece o vocabulário da lógica, ensinando a mente a olhar para a estrutura do argumento, e não para a emoção ou a autoridade de quem fala. E ainda permite que o indivíduo:

  • Identifique Falácias: Reconhecer um ad hominem (o ataque ao mensageiro, e não à mensagem) deixa de ser um termo acadêmico e se torna um escudo mental. O mesmo vale para generalizações apressadas e argumentos de autoridade.

  • Separe Premissa de Conclusão: A maior parte das discussões públicas falha porque os interlocutores não sabem diferenciar a evidência (premissa) da tese (conclusão). O RC obriga a mente a desmembrar o argumento e avaliar a validade da ponte lógica entre eles.

O Quádruplo Benefício do Músculo Crítico

O Raciocínio Crítico é o treino do nosso músculo analítico. As principais funções avaliadas por esse tipo de teste são, na verdade, habilidades essenciais para a vida adulta:

  1. Pesar Evidências: Habilidade de julgar a força de uma conclusão com base nos fatos. Isso evita a adesão a ideias frágeis e politicamente apelativas.

  2. Tomada de Decisão Estratégica: A aptidão para desenvolver planos de ação, considerando a viabilidade e a eficácia. Não é só sobre resolver problemas, mas sobre escolher o melhor caminho.

  3. Comunicação Clara: O RC exige clareza e precisão na exposição. Quem pensa com lógica, fala e escreve com clareza.

  4. Identificação de Suposições Ocultas: A capacidade de ver o que não foi dito. A má-fé argumentativa geralmente reside nas suposições (aquilo que o autor assumiu que o leitor aceitaria sem questionar).

O Raciocínio Crítico é mais do que uma disciplina de concurso ou MBA. É o que transforma o cidadão passivo, que apenas consome informação, no cidadão ativo que exige lógica, transparência e coerência de seus líderes, de seus colegas e, principalmente, de si mesmo.

segunda-feira, outubro 13, 2025

🧠 Reflexo Filosófico — O mal cotidiano (Hannah Arendt e a rotina que nos torna cúmplices)

 
"O mal é banal."Hannah Arendt

Hannah Arendt nos alertou: o mal nem sempre se apresenta como algo grandioso ou monstruoso. Muitas vezes, ele se esconde na rotina, na passividade ou no simples hábito de não questionar.

Pequenas concessões, decisões automáticas e o conformismo silencioso podem nos tornar cúmplices de situações que, de outra forma, jamais aceitaríamos. A banalidade do mal é justamente essa: não precisa de vilania explícita, basta a ausência de reflexão e ação.

O desafio moderno é não se deixar anestesiar pelo cotidiano. Pergunte-se: quais pequenas atitudes ou omissões no seu dia a dia podem estar permitindo que injustiças passem despercebidas? Reconhecer essa dinâmica é o primeiro passo para resistir à sua sedução silenciosa.

domingo, setembro 28, 2025

🚧 99: A beleza do quase e o número mais inquieto do mundo

 "Faltava um. Mas talvez seja esse ‘um’ que nos mantém vivos."

O Noventa e Nove: A Inquietação Antes do Centenário

Noventa e nove é um número que nos cerca e nos desafia. É o último passo antes da linha de chegada, o respiro antes do centenário. É a missão final de um jogo que você adia, o "quase lá" que nunca se transforma em "cheguei". No mundo digital, somos bombardeados por ele: 99 notificações, a bateria em 99% 🔋, 99 passos para a felicidade. Ele representa a promessa, a expectativa e, muitas vezes, o medo do que virá depois.

Este post era para ser o de número 99, mas a vida tem seus próprios planos e me empolguei escrevendo outros antes. E, ironicamente, essa é a prova perfeita da beleza do incompleto. A vida é cheia de desvios, de inícios que não terminam e de finais que não entregam o clímax esperado. O que acontece com o 100? Na maioria das vezes, ele simplesmente... acaba. Não há fogos de artifício ou grandes revelações. O final pode ser um anticlímax, e talvez por isso tanta gente pare no 99. É o prazer no processo, o alívio de não ter que fechar tudo com chave de ouro, o medo do fim.

O 99 é a manifestação da nossa "falta de acabativa", a expressão que sumiu dos consultórios de RH, mas que ainda nos define. É mais autêntico e humano parar no 99 em alguns casos do que forçar o 100. Há uma beleza e um alívio em não ter que concluir, em deixar algo em aberto. Talvez seja essa pequena falta que nos mantém em movimento, a busca incessante pelo próximo passo, pelo próximo desafio. Afinal, a perfeição pode ser entediante, mas o "quase" é sempre intrigante.


sexta-feira, agosto 08, 2025

☕ Três Goles de Café — O que é Filosofia?

☕ Primeiro gole: filosofia é a arte de fazer perguntas que nem sempre têm resposta — e de não entrar em pânico com isso.

☕Segundo gole: nasceu quando alguns gregos resolveram que, em vez de aceitar histórias prontas sobre deuses e monstros, iam investigar a vida, o mundo e o próprio pensamento. Não para encontrar “a” verdade, mas para continuar procurando.

☕Terceiro gole: filosofia não serve só para salas de aula ou livros grossos. Está no jeito como você decide o que é justo, no momento em que duvida de uma certeza, e até naquela conversa às 2h da manhã sobre “qual é o sentido de tudo isso?”.

Epígrafe:
"A filosofia começa na admiração. E, às vezes, termina no mesmo lugar."

🕰️ O Sussurro das 3:33: Por que paramos de esperar?

  Epígrafe: "Prescinde o dia da conversa da espera de algo melhor" Existem momentos em que a nossa mente parece cansada da nossa ...