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Tentando tapar os buracos na minha cabeça...
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sábado, janeiro 17, 2026

🪁 500 Jardas de Silêncio: O que a pipa me ensinou sobre a paz

 
Epígrafe: "A paz não é a ausência de conflito, mas a presença de uma conexão serena."

Durante a madrugada, entre um pensamento intrusivo e outro, minha mente resolveu me levar de volta aos meus 10 ou 12 anos. Foi um período curto, talvez uns dois anos, em que soltar pipa (ou papagaio, dependendo de onde você me lê) era a minha maior ocupação.

Naquela época, não tínhamos a internet para nos distrair. Éramos um bando de garotos focados em levar nossos "bólidos" às alturas. Mas havia algo que me incomodava profundamente: a obsessão em "cortar". Parecia injusto que o único objetivo de muitos fosse destruir a linha do colega, derrubar o brinquedo alheio só por diversão.

Eu acho que a minha maturidade — ou talvez a minha necessidade de solitude — veio rápido.

Minha lembrança mais nítida não é de uma batalha nos céus, mas de um fim de tarde em que não havia ninguém na praça. Eu estava sozinho. Descarregava todo o meu carretel de linha 10, todas as 500 jardas. Quando chegava ao final, eu colocava a latinha onde a linha estava amarrada no chão e simplesmente sentava em cima dela.

Ficava ali, parado, admirando a obra de mandar um brinquedo a quase meio quilômetro de distância. A linha ficava completamente retesada, fazendo aquela curva elegante e firme até o azul do céu.

Naquele momento, eu sentia paz.


Hoje, décadas depois, percebo que sinto a mesma paz ao sentar em silêncio no meu jardim por alguns minutos. É o mesmo fio invisível que me conecta com o que é essencial, longe do barulho das opiniões alheias e da pressa do mundo.

No mundo maluco em que vivemos hoje, onde crianças e adultos estão permanentemente plugados em telas e redes sociais, eu me pergunto: onde você encontra a sua paz? Aliás, você sabe o que é paz? É difícil buscar algo que nunca se alcançou. Vivemos em um mundo tecnologicamente avançado, mas emocionalmente exausto. Um mundo que prefere o "corte" da linha alheia (o cancelamento, a crítica, a competição) ao prazer contemplativo de apenas segurar o fio e olhar para o alto.

Mundo triste. 😢

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