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quarta-feira, junho 24, 2026

🦸‍♂️ Esqueça o voo ou a invisibilidade: Eu quero o poder do Ostracismo

Epígrafe: "O maior superpoder da atualidade não é salvar o mundo de uma invasão alienígena; é salvar o mundo da próxima vergonha alheia monetizada."

Se você ganhasse o direito de escolher um superpoder hoje, o que seria? A maioria das pessoas, influenciada por décadas de blockbusters no cinema, vai direto no clichê: voar, ter superforça, ficar invisível, ler mentes ou alcançar a imortalidade.

Eu confesso que passei anos balançando entre a telepatia e o teletransporte (para fugir do trânsito). Mas finalmente, após observar o zoológico humano em que se transformou a nossa sociedade conectada, cheguei à conclusão de qual é o único poder que realmente salvaria a civilização: o poder de jogar as pessoas no ostracismo imediato.

Não me entenda mal. Eu não quero explodir cabeças com o poder da mente ou mandar vilões para a Zona Fantasma. Eu quero algo muito mais sutil, elegante e devastador: o poder do esquecimento. O superpoder de fazer com que um idiota, no exato momento em que começa a falar uma asneira colossal, simplesmente desapareça da mente de todo mundo. Um ad-blocker humano de relevância.

O Megafone dos Alucinados

Pense bem. Antigamente, o sujeito que acordava inspirado e decidia espalhar que o Brasil ia perder a Copa do Mundo porque os jogadores seriam abduzidos por ETs ficava restrito ao balcão do boteco. O máximo que ele conseguia era o olhar de pena do barman e um "tá bom, chefe, bebe mais uma e vai para casa". O estrago era controlado.

Hoje? O sujeito grava um vídeo na vertical, o algoritmo fareja o cheiro de sangue da bizarrice e, no dia seguinte, o cidadão tem dois milhões de visualizações.

E piora. Entramos na era em que as pessoas têm vontade de brilhar tomando detergente em live, justificando o ato sob um suposto "conceito político" porque o fabricante do produto é ligado à direita ou à esquerda. O debate público foi arrastado para a seção de produtos de limpeza.

Se eu tivesse o Poder do Ostracismo, bastaria um estalar de dedos. No momento em que o cidadão levasse a garrafa de Veja Maçã à boca, a transmissão continuaria, mas a mente das pessoas simplesmente reiniciaria. "Quem é esse cara mesmo? Por que estou olhando para um produto de limpeza?". Pronto. Ostracismo. O mundo estaria salvo de mais uma trend de hospital.

O Filtro Anticharlatão

Onde esse poder seria mais útil, no entanto, é na defesa da ciência e do bom senso. Sinto uma urticária mental profunda quando surge alguém para questionar o método científico, não do jeito bom e saudável, já que a ciência vive e progride através do questionamento e da redefinição constante, mas pela simples e preguiçosa interpretação de que a sua religião de estimação já tem todas as respostas prontas em um livro de dois mil anos atrás.

Para esse tipo de debate estéril, o debate lógico não funciona. A lógica precisa de terreno firme para caminhar; no pântano do dogmatismo, ela afunda. Mas o Homem-Ostracismo não debate. Ele apenas aperta o botão de mute existencial.

E o que dizer dos coaches messiânicos? Aqueles que juram de pé junto que poderiam facilmente assumir o controle de um helicóptero sem nunca terem feito uma aula de voo, baseados puramente na "força da mente" e no "mindset de vencedor". Diante de uma figura dessas, a reação humana e primitiva seria arremessar uma cadeira (o que, convenhamos, tem seu valor terapêutico).

Mas o meu poder seria mais cruel. Ao invés da violência física, que gera mártires e cortes para o TikTok, eu usaria o Ostracismo. O sujeito cairia no esquecimento instantâneo. Ninguém mais lembraria quem ele é.

Sabe qual seria a maior punição para um cara desses? Ele não conseguiria mais cobrar R$ 1.500 para as pessoas assistirem aos jogos da Copa do Mundo na mansão dele — mansão essa, ironicamente, comprada com o dinheiro de quem ele já engan... digo, "convenceu" com suas teorias de autoajuda quântica. Sem o oxigênio da atenção alheia, o charlatão sufoca.

A Paz do Silêncio

O Poder do Ostracismo seria o ápice da justiça poética. Ele não fere, não mata e não gera processos judiciais. Ele apenas devolve o imbecil ao seu habitat natural: a insignificância.

Enquanto esse raio colonizador de mentes não é inventado pelos laboratórios de física, sigo exercendo o meu "superpoder genérico": o maravilhoso e subestimado botão de "bloquear" nas redes sociais. Não limpa o mundo, mas garante que o meu próprio quintal continue livre de ETs, detergentes e pilotos de helicóptero de Twitter.

🦸‍♂️ Esqueça o voo ou a invisibilidade: Eu quero o poder do Ostracismo

Epígrafe: "O maior superpoder da atualidade não é salvar o mundo de uma invasão alienígena; é salvar o mundo da próxima vergonha alhei...