
Epígrafe: "Dizem que todo mundo tem um sósia no mundo. O problema é quando o seu sósia viveu em 1853 e tinha canhões apontados para Tóquio."
Almoços com o "chefe do chefe" podem ser tensos, mas quando o cara é um entusiasta de história, o negócio vira um episódio do History Channel. No nosso último encontro, resolvi lançar um quiz:
— "Quem foi o comandante que chegou na porta do Japão, meteu o pé na entrada e disse: 'ou abre para o comércio, ou a conversa vai ser no tiro'?"
Dei a dica: — "Ele é um 'Amigo' (Friend)..."
Meu interlocutor, sagaz, não só acertou o nome como lembrou do sobrenome: Comodoro Matthew Perry. Sim, o homônimo do nosso eterno Chandler Bing, de Friends. Rimos, falamos sobre os "Navios Negros" e a pressão diplomática que mudou o destino do Japão. Tudo certo, até eu cometer o erro de dar um Google na cara do sujeito.
O Choque de Realidade
Eu sempre soube como era a cara do ator. Mas eu nunca tinha parado para encarar o Comodoro. E quando a imagem carregou... o susto foi real.
Vejam as evidências:
As bolsas sob os olhos: O Comodoro Perry tinha aquele olhar de quem não dormia esperando o vento a favor. Eu tenho o mesmo olhar, mas no meu caso é o café do home office que não faz mais efeito.
O cabelo de poeta romântico: Ele tinha aquele estilo "deixei crescer e o mar cuidou". Quando eu descuido do corte, o resultado é rigorosamente o mesmo: uma vibe Lord Byron em dia de ressaca.
A expressão: Ele parece estar permanentemente prestes a dizer: "Olha, eu não queria usar a força, mas vocês não estão facilitando". Eu faço essa cara toda vez que o Excel trava.
Diplomacia vs. Amizade
A semelhança física é gritante (meu "eu do passado" era bem mais sério, talvez pela falta de ar-condicionado na Marinha Americana), mas as semelhanças param por aí. Enquanto o Matthew original queria abrir o Japão na marra, eu sou um grande fã dos meus amigos japoneses, do sushi de sexta-feira e da paz de espírito.
No fim das contas, descobri que sou a reencarnação de um diplomata naval de 1850. Se amanhã eu aparecer no trabalho exigindo que abram a copa para o comércio internacional sob ameaça de "canhões de post-it", vocês já sabem o porquê.

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